As melhores eSIM para a Rússia: quais funcionam mesmo, segundo quem lá esteve

Comprar um cartão SIM russo físico tornou-se praticamente impossível para um turista desde que entraram em vigor as regras de 2025, que obrigam a registá-lo na plataforma estatal Gosuslugi com um número SNILS. Por isso, se queres dados móveis na Rússia, o caminho realista é uma eSIM internacional comprada antes de partires.

Mas antes de começares a comparar marcas, há duas coisas que vão pesar muito mais na tua experiência do que a marca que escolheres: se o teu próprio tarifário já te cobre e por onde é que a eSIM que compras sai para a internet. Esta segunda explica porque é que duas pessoas com a mesma eSIM, no mesmo mês, contam experiências opostas.

Este artigo não é um ranking de fichas técnicas. Ao lado dos dados de cada fornecedor, reúne o que contaram os leitores que acabaram de voltar, com a data da viagem e o link para a crónica, para a poderes ler inteira. Algumas estão em inglês, espanhol, italiano, francês ou alemão, e indico-o sempre.

Turista na Praça Vermelha de Moscovo a consultar a internet com uma eSIM

1. Antes de comprares seja o que for: vê o teu próprio tarifário

Quase nenhum artigo sobre eSIM fala disto, e pode poupar-te a despesa toda: vários leitores tiveram o seu cartão SIM habitual a funcionar em roaming sem comprar nada, e nalguns casos melhor do que qualquer eSIM.

O Michael viajou com o seu cartão da Tele2 sueca e não teve problemas de ligação nem em São Petersburgo nem em Moscovo (crónica em inglês). A Sophia, de Singapura, passou o Ano Novo em Moscovo com o roaming do seu operador e diz que a ligação nunca foi um problema (crónica em inglês). E um leitor italiano combinou as três coisas em duas semanas em São Petersburgo: uma eSIM, o roaming da TIM e, no fim, um cartão SIM russo (crónica em italiano).

A pergunta a fazer ao teu operador antes de viajares é muito concreta: tenho roaming de dados na Rússia, e a que preço? Muitos tarifários europeus e norte-americanos não incluem a Rússia de todo, ou incluem-na a um preço absurdo por megabyte, e aí a eSIM ganha sem discussão. Mas se o teu tarifário a cobre a um preço razoável, experimenta primeiro isso.

💡 O que eu faria: pergunta ao teu operador e leva, na mesma, uma eSIM instalada como plano B. Se o roaming funcionar, a eSIM custou-te uns euros e nunca a chegas a ativar. Se não funcionar, já a tens ali e não precisas de andar à procura de uma a partir da Rússia, onde comprá-la é muito mais complicado.

2. Porque é que a uns funciona e a outros não

Se fores procurar opiniões na internet, vais encontrar dois grupos de pessoas que parecem estar a descrever países diferentes com a mesma eSIM. Há uma explicação, e percebê-la poupa-te muitas tentativas falhadas.

Primeiro, o que não muda: o teu telemóvel liga-se sempre a uma antena russa, seja da Beeline, da MTS, da MegaFon ou da T2. Não há outras. Quer leves uma eSIM comprada no teu país, o teu cartão habitual ou um russo, são elas que te dão cobertura.

O que muda, e decide tudo, é por onde a tua ligação sai para a internet depois de passar por essa antena. Há dois caminhos possíveis:

  • Sai pela rede russa. Então navegas na internet russa, com os mesmos filtros de quem vive em Moscovo: o WhatsApp, o Instagram e o YouTube vão dar-te problemas e vais precisar de uma VPN.
  • Sai pelo operador de origem da tua eSIM. A antena russa limita-se a levar a tua ligação de volta à rede dessa empresa no estrangeiro, e é essa que te põe na internet. Navegas quase como se estivesses em casa, e alguns leitores nem sequer tiveram de ligar a VPN.

Uma imagem ajuda: a antena russa recolhe sempre a tua carta. A diferença está em abri-la e entregá-la cá dentro, passando pela alfândega, ou metê-la num saco selado e reencaminhá-la para o teu fornecedor, que a envia a partir de fora.

Esse caminho decide-o o teu fornecedor, não tu, não vem escrito em lado nenhum quando compras e pode mudar até a meio da viagem, porque também depende do operador russo a que a antena te entrega nesse momento. É por isso que circulam tantos relatos contraditórios.

⚠️ E há uma tendência que convém conheceres

Ao longo de 2026, o segundo caminho, o bom, tem vindo a estreitar-se. As eSIM que saem para a internet pela rede russa foram as primeiras a perder essa margem, e desde o verão também está a ser filtrada parte do tráfego que antes saía limpo para o estrangeiro. A consequência prática: quanto mais recente for a opinião que lês algures, mais vale, e um conselho de há um ano pode estar a descrever um mundo que já não existe.

Como saber num minuto qual te calhou

Assim que tiveres dados, sem ligar a VPN, abre google.com no navegador. Se carregar, a tua ligação sai para o estrangeiro e vais ter uma viagem tranquila. Se não carregar mas o yandex.ru sim, estás na internet russa e vais precisar da VPN para as tuas apps habituais. Se nenhum carregar, não é a tua eSIM: é um corte de dados móveis na zona.

3. O que contam os leitores, marca a marca

É isto que distingue este artigo da comparação do costume. Não são as minhas notas: são viajantes que me enviaram a sua crónica a contar com que se ligaram e como correu. Cada um com a data da viagem e o link para a leres inteira.

📋 Ordenado por marca, da que tem mais relatos para a que tem menos. Quando um leitor teve problemas, também está aqui.

MarcaO que contam
YesimFuncionou bem para: o Thomas, em São Petersburgo em agosto de 2026, que o resume numa frase: «funcionou na perfeição, não foi preciso VPN, o WhatsApp e o Telegram funcionaram, incluindo as chamadas de voz» (crónica em inglês). O Alfio, em agosto de 2026, diz que funcionou «extraordinariamente bem em todo o lado» e que todos os sites abriam sem VPN (crónica em italiano). O Iñaki ativou-a ao aterrar seguindo o link de um SMS, em junho de 2026 (crónica em inglês). A Shea usou-a com a app 2GIS em Moscovo e Kazan (crónica em inglês). A Lara, duas semanas em agosto de 2026, juntou-lhe um plano pago da Windscribe (crónica em francês). E o Neil levou-a instalada pelo Extremo Oriente russo, a par de um cartão SIM russo reativado (crónica em inglês).

Não funcionou para: um leitor suíço que passou quatro semanas entre São Petersburgo e Moscovo em julho e agosto de 2026 e me escreveu: «supostamente funcionava na Rússia, segundo o vendedor e segundo tudo o que eu tinha lido. Pois não: em momento nenhum foi possível ligar-me assim». E a um leitor italiano funcionou-lhe de forma intermitente e lenta em julho de 2026, até ter comprado um cartão SIM russo (crónica em italiano).
HolaflyFuncionou bem para: um leitor de Rostock em Moscovo em junho e julho de 2026, com a ressalva de que só a pôde usar passadas as 24 horas do costume e de que não lhe serviu para o wi-fi do metro (crónica em alemão). O Tommaso e a Anna Lia, seis semanas de autocaravana entre a Geórgia e a Estónia em abril e maio de 2026, que dizem que «no fim portou-se bem», tirando o apagão das primeiras 24 horas (crónica em italiano). O Oriano, de mota por Caliningrado (crónica em italiano). O Samuel, 16 dias num campo de treino de boxe em Sochi (crónica em inglês). E o Stefano, 22 dias por quatro cidades, que teve de facto 12 horas sem internet em São Petersburgo e o GPS baralhado no centro de Moscovo, mas por motivos que nada têm a ver com a eSIM (crónica em italiano).

Não funcionou para: o Alfio, na mesmíssima viagem de agosto de 2026 em que a Yesim lhe serviu na perfeição. O veredicto dele sobre a Holafly cabe numa palavra, e não é simpática (crónica em italiano).
UbigiAssim-assim: o Jacobus viajou com a família e três adolescentes em junho e julho de 2026 e calcula que funcionou cerca de 80% do tempo (crónica em inglês). A Mweru, de Perth, conta que tanto a Ubigi como a Yesim falhavam de vez em quando, tal como as VPN do grupo, cada um com uma diferente (crónica em inglês).
BytesimNão funcionou para o Pablo, em Moscovo em agosto de 2026: «não funcionou de todo». Acabou por se safar com o wi-fi do hotel e um mapa do Yandex descarregado (crónica em espanhol).

Outros leitores safaram-se com marcas menos conhecidas, com um único relato cada. A GoMoWorld funcionou ao Stanislas entre Moscovo e São Petersburgo, embora a velocidade tenha caído a partir dos 3 GB (crónica em francês), e o Fran usou a GigSky juntamente com um cartão da Orange por Moscovo, Suzdal e Vladimir (crónica em inglês).

As fichas completas da Yesim, da Holafly e da Ubigi, com preços, limites de hotspot e políticas de reembolso, estão um pouco mais abaixo.

Desta tabela saltam à vista duas coisas, e vale a pena guardá-las antes de comprares.

Primeira: nenhuma marca acerta 100% das vezes. O caso do Alfio é o mais claro, porque levava as duas e, na mesma viagem, uma funcionou na perfeição e a outra não serviu para nada. Não é que uma seja boa e a outra má: é o caminho de saída para a internet de que falámos acima.

Segunda: quem leva duas opções nunca fica pendurado. Os leitores que passaram pior foram os que só tinham uma coisa. Quem tinha eSIM mais roaming, ou eSIM mais a palavra-passe do wi-fi do hotel já na mão, encontrou sempre uma solução.

4. O bloqueio das primeiras horas, que afeta todas as eSIM

Antes da comparação, o pormenor que mais pânico causa: desde 6 de outubro de 2025, quando aterras na Rússia e a tua eSIM se liga pela primeira vez a uma rede russa, os dados móveis e os SMS ficam bloqueados durante cerca de 24 horas. As chamadas de voz costumam continuar a funcionar.

Não é uma avaria da tua eSIM nem da marca que escolheste. É uma medida do Estado aplicada pelos quatro operadores russos, e os próprios fornecedores avisam nos seus sites: a Ubigi di-lo com todas as letras em cada plano («Mobile data in Russia available only 24h after first connection due to Russian government restrictions», ou seja, dados móveis na Rússia só 24 horas depois da primeira ligação, por restrições do governo russo) e a Yesim também o indica na sua página da Rússia.

Duas nuances que só se aprendem com os leitores. A primeira: nem sempre são 24 horas; à Céline durou 48 (crónica em francês). A segunda: o procedimento para o desbloquear mais cedo varia, e convém conhecê-lo de antemão, porque vais fazê-lo cansado e acabado de aterrar.

📱 O SMS que vais receber

«Bem-vindo à Rússia! O teu roaming está temporariamente restringido durante 24 horas por motivos de segurança. Para recuperar já o acesso total, conclui a identificação no link abaixo. Desliga primeiro o wi-fi e a VPN.»

Se te chegar algo assim, não é burla: é o procedimento oficial. Repara no pormenor que quase toda a gente ignora, porque é o motivo mais comum para o desbloqueio falhar: tens de desligar o wi-fi e a VPN antes de abrires o link.

Uns leitores recebem esse SMS com um link, outros um pequeno puzzle de verificação com apenas três tentativas, outros têm de ligar para um número. Seja qual for o teu caso, faz tudo com calma, lê bem cada ecrã e não gastes as tentativas à pressa.

SMS recebido ao chegar à Rússia para desbloquear o acesso à internet com um cartão SIM

Para não ficares sem internet nesse primeiro dia:

  • Ativa a eSIM na véspera do voo, com o wi-fi de casa. Assim o relógio das 24 horas vai correndo enquanto viajas e aterras com dados. É o melhor conselho desta lista.
  • Descarrega mapas offline do Yandex Maps, não do Google. Na Rússia, as apps da Google não funcionam na rua mesmo com dados, como conta o Francisco a partir de Kazan (crónica em espanhol). O Yandex funciona sempre.
  • Reserva com antecedência o transfer do aeroporto para o hotel, para não dependeres de uma app de táxis logo ao aterrar.
  • Pede por e-mail ao hotel a palavra-passe do wi-fi antes de chegares. O wi-fi público dos aeroportos e do metro pede um número de telefone russo para te verificar, por isso não te serve.
  • Leva a morada do hotel em russo, em papel, com um telefone de contacto.

5. Os quatro operadores russos: que rede usa cada eSIM

As eSIM internacionais não têm rede própria, funcionam sobre um dos quatro grandes operadores russos. Saber qual usa a tua diz-te que cobertura vais ter, sobretudo se saíres das grandes cidades. Os links levam ao mapa de cobertura de cada um.

  • MegaFon. A rede com maior alcance, urbana e rural. Nenhuma eSIM estrangeira funciona com esta empresa.
  • T2 (antiga Tele2 Rússia). Boa cobertura urbana e ao longo do Transiberiano. A Yesim e a Ubigi combinam-na com a Beeline.
  • MTS. Muito boa cobertura nacional, incluindo zonas rurais, a Sibéria e o Extremo Oriente. É a rede que a Holafly usa.
  • Beeline (VimpelCom). Bom sinal em Moscovo, São Petersburgo, Kazan e Sochi, um pouco mais limitado em zonas rurais remotas. É uma das duas redes que a Yesim e a Ubigi usam.
Mapa de cobertura 3G/4G/5G da MTS na Rússia

Se a tua viagem se centra em Moscovo, São Petersburgo e Sochi, qualquer uma das quatro redes te dá boa cobertura. Se vais fazer o Transiberiano ou visitar regiões remotas, a T2 e a MTS são as mais fiáveis.

6. As eSIM que funcionam na Rússia, uma a uma

São todas só de dados: nenhuma inclui um número russo para chamadas ou SMS. O teu número habitual continua ativo no Telegram através do cartão SIM principal do telemóvel.

💰 Sobre os preços: os que vês a seguir confirmei-os em maio de 2026 e revejo-os de poucos em poucos meses, mas este setor muda as tarifas com frequência. Usa-os como referência para comparar e confirma o preço final no site antes de pagares.

6.1. Yesim (redes Beeline + T2)

A Yesim é uma empresa suíça com sede em Zug que oferece eSIM em mais de 200 destinos. Para a Rússia, a vantagem é ligar-se a duas redes ao mesmo tempo, Beeline e T2, com mudança automática: se um sinal cai, o telemóvel salta para o outro sem fazeres nada.

É a que tem mais relatos positivos de leitores, com larga vantagem: seis viajantes entre junho e agosto de 2026, vários deles sem precisarem de VPN. É também a que tem o fracasso mais rotundo, o do leitor suíço que não conseguiu ligar-se em quatro semanas. As duas coisas são verdade e convém conhecer ambas.

eSIM da Yesim na Rússia
  • Ilimitados: 1 dia por 3,60 $, 7 dias por 25,20 $ (3,26 $ por dia), 15 dias por 54 $ (2,16 $ por dia), 30 dias por 108 $ (1,44 $ por dia).
  • Pré-pagos por GB: 1 GB/30 dias por 3 $, 5 GB por 12 $, 10 GB por 18 $, 20 GB por 22,80 $, 30 GB por 27,60 $.
  • Hotspot permitido, sem limite concreto anunciado.
  • Apoio ao cliente 24/7, com um tempo médio de resposta de 6 minutos, segundo a empresa.
  • Modo de pagamento por consumo Pay & Fly, também válido na Rússia, prático se combinares vários países.
  • Reembolso total nos 30 dias seguintes à compra, se não tiveres ativado a eSIM.

6.2. Holafly (rede MTS)

A Holafly é a única eSIM internacional muito conhecida que se liga à rede da MTS, um dos operadores com melhor cobertura fora das grandes cidades. Isso torna-a interessante se vais fazer o Transiberiano, o Anel de Ouro, Murmansk, Kamtchatka ou a Sibéria.

É a segunda com mais relatos, e de perfis muito diferentes: uma autocaravana por meia Rússia, uma mota por Caliningrado, um campo de treino de boxe em Sochi e uma viagem a Moscovo este mesmo verão. Também tem o veredicto negativo mais seco de toda a tabela, o do Alfio em agosto de 2026.

eSIM da Holafly para a Rússia com dados ilimitados
  • Todos os seus planos para a Rússia são ilimitados, com duração configurável de 1 a 90 dias. A partir de 7,90 $ por dia nos períodos curtos, bastante menos nos planos longos. É a opção mais cara da comparação.
  • Política de uso razoável: pode haver redução pontual da velocidade se gastares muitíssimo num só dia, e repõe no dia seguinte.
  • Hotspot permitido, com um máximo de 1 GB por dia. É o limite mais restritivo da comparação.
  • Apoio ao cliente 24/7 em 19 línguas, incluindo o português, por chat, WhatsApp e e-mail.
  • Reembolso até 6 meses depois da compra, se a eSIM não tiver sido ativada. É a política mais generosa.

6.3. Ubigi (redes Beeline + Tele2)

A Ubigi pertence ao grupo Transatel, uma empresa francesa com longa experiência em conectividade móvel. Foi a primeira eSIM internacional a voltar a funcionar normalmente depois das restrições de outubro de 2025, quando outras demoraram dias ou semanas. Entre os leitores é a que tem resultados mais irregulares: «funcionou 80% do tempo» é o melhor relato que tem.

eSIM da Ubigi para a Rússia com o aviso do bloqueio de 24 horas do governo russo
  • 13 planos individuais para a Rússia e 27 multipaís que a incluem. Os mais úteis: 3 GB/15 dias por 7 €, 10 GB/30 dias por 14 $, 20 GB/30 dias por cerca de 25 $, 60 GB/30 dias por 49 $, e um «ilimitado» de 7 dias por 25 $ com 20 GB a velocidade máxima e depois 2 Mbps.
  • Smartstart: o plano não começa a contar a partir da compra, mas quando aterras e te ligas. Comprar com antecedência não te custa dias.
  • Carregamentos fáceis a partir da app e hotspot sem custo extra.
  • Se não instalares o plano em 6 meses, caduca.
  • Avisa do bloqueio de 24 horas com muita transparência em cada plano. É a mais honesta do setor neste ponto.

7. Comparação rápida

eSIMRede russaIlimitadoPreço desdeHotspotReembolsoRelatos de leitores
YesimBeeline + T2 (automática)Sim3,60 $ por diaSim, sem limite anunciado30 dias se não for usada6 a favor, 2 contra
HolaflyMTSSim (com FUP)7,90 $ por dia1 GB por diaAté 6 meses se não for ativada5 a favor, 1 contra
UbigiBeeline + Tele2Só com FUP (20 GB)7 € / 3 GB / 15 diasSim, sem custoCaduca ao fim de 6 meses sem uso2, ambos irregulares

FUP = Fair Use Policy (política de uso razoável): a velocidade é reduzida quando passas uma determinada quantidade de dados.

8. Qual escolher para a tua viagem

  • Viagem de 3 a 7 dias por Moscovo e São Petersburgo: qualquer uma das que funcionam em redes urbanas te dá uma boa ligação. A Yesim é a mais equilibrada em preço e funcionalidades graças à rede dupla, e é a que tem mais relatos positivos de leitores.
  • Transiberiano, Murmansk, Kamtchatka ou zonas rurais: a Holafly, por ser a única na rede MTS, que é a melhor fora dos centros urbanos. A autocaravana do Tommaso e a mota do Oriano confirmam-no.
  • Viagem longa com muito consumo de dados: os ilimitados de 15 ou 30 dias da Yesim são os que têm melhor relação qualidade-preço (2,16 $ e 1,44 $ por dia). Se preferires pagar por GB, os 60 GB/30 dias da Ubigi por 49 $ são competitivos.
  • Vais partilhar a ligação com o portátil ou com outras pessoas: evita a Holafly, que limita o hotspot a 1 GB por dia. A Yesim e a Ubigi não anunciam limite.
  • Queres gastar o mínimo possível: se vais usar pouco mais do que mapas e mensagens, os 5 GB pré-pagos da Yesim por 12 $ dão-te para bastantes dias. Se vais usar dados à vontade, o ilimitado de 30 dias sai a 1,44 $ por dia, o mais barato por dia dos três.

✅ Se o queres em poucas palavras: grandes cidades e viagem curta, Yesim. Rotas longas ou a Rússia profunda, Holafly. E nos dois casos, vê primeiro se o teu próprio tarifário cobre a Rússia e deixa tratada a palavra-passe do wi-fi do hotel, por via das dúvidas.

9. As que não funcionam na Rússia

Há eSIM muito conhecidas que não cobrem a Rússia de todo, e se encontrares sites que ainda as recomendam para o país, essa informação está desatualizada. As duas sobre as quais mais me perguntam são a Saily (a eSIM da NordVPN) e a Airalo: nenhuma tem planos para a Rússia. Há também a Jetpac, sem cobertura.

São as que mais confusão causam, sobretudo a quem chega aqui a tentar perceber porque é que o pagamento está a ser recusado ou se o serviço está bloqueado. A resposta é mais simples do que parece: não há problema nenhum com o teu cartão nem bloqueio, simplesmente não vendem planos para a Rússia.

E uma que vende planos para a Rússia mas deixou um leitor completamente desiludido: a Bytesim. O Pablo comprou-a para a viagem a Moscovo em agosto de 2026 e «não funcionou de todo» (crónica em espanhol). Um único relato não condena uma marca, mas com tantas alternativas já testadas não vejo razão para arriscar.

Também vale a pena esclarecer o que aconteceu em outubro de 2025, porque causou muita confusão e ainda circulam artigos a dizer que «as eSIM já não funcionam na Rússia». Quando entraram as novas restrições, quase todas as eSIM estrangeiras deixaram de funcionar bem durante dias ou semanas. Isso resolveu-se e as que cobriam a Rússia voltaram a funcionar, mas desde então todas passam pelo bloqueio inicial de 24 horas, e ao longo de 2026 a filtragem de que falei na secção 2 apertou. Portanto, nem «já não funcionam» nem «voltou tudo ao normal»: funcionam, com condições, e compensa chegares preparado.

Antes de comprares qualquer eSIM, confirma no site do próprio fornecedor que a Rússia aparece na lista de países. O setor muda depressa.

10. A alternativa: comprar a eSIM a um operador russo

Uma opção de que quase ninguém fala: os quatro grandes operadores russos vendem as suas próprias eSIM, e os preços são bastante mais baixos do que os das internacionais. Estas são as páginas oficiais:

A vantagem é o preço: uma eSIM russa com imensos dados mais chamadas custa uma fração do que pagas por uma internacional. O problema é que aderir é quase impossível para um turista, por três motivos:

  • Registo obrigatório no Gosuslugi, com os mesmos requisitos dos cartões físicos: SNILS, passaporte traduzido para russo, registo biométrico presencial, o IMEI do teu telemóvel. Para quem vai uma semana, é inviável.
  • Só aceitam cartões russos Mir. Os Visa e Mastercard emitidos no estrangeiro não funcionam desde 2022, e para abrir conta num banco russo precisas de um número russo: um círculo que não fecha.
  • Sites e apoio ao cliente só em russo, sem versão em inglês.

Na prática, só faz sentido se fores viver ou trabalhar lá durante uma temporada, ou se tiveres alguém de confiança que te ajude com o processo. Alguns leitores conseguiram um cartão SIM russo já no país, com o passaporte, numa loja de um operador, embora esteja cada vez mais difícil: explico-o em como comprar um cartão SIM russo.

11. Como instalar a tua eSIM passo a passo

  1. Confirma que o teu telemóvel é compatível com eSIM. A maioria dos iPhone a partir do XR e muitos Android recentes (Samsung Galaxy S20 ou posterior, Google Pixel 3 ou posterior). Marca *#06#: se aparecer um número EID, é compatível. O Iñigo teve a experiência contrária e não conseguiu usar nenhuma (crónica em inglês), por isso confirma antes de pagares.
  2. Compra o plano no site ou na app do fornecedor. Recebes um código QR por e-mail em segundos.
  3. Instala a eSIM em casa, com wi-fi, antes de viajares. No iPhone: Definições > Dados móveis > Adicionar eSIM e lê o QR. No Android: Definições > Ligações > Gestor de cartões SIM > Adicionar tarifário móvel.
  4. Ativa-a na véspera do voo. Aqui mudei de opinião em relação ao que recomendava antes: como o relógio das 24 horas começa com o primeiro registo na rede russa, e vários leitores confirmaram que ativá-la mais cedo encurta a espera, compensa tê-la a funcionar quando aterras.
  5. Ao aterrar, define-a como linha de dados e mantém o teu cartão habitual para chamadas e SMS. Se chegar o SMS de verificação, desliga o wi-fi e a VPN antes de abrires o link.
  6. Faz o teste de um minuto da secção 2 para saberes se vais precisar de VPN ou não.

Tem em conta que o WhatsApp, o Instagram, o Facebook e o YouTube estão bloqueados na Rússia, e o Telegram muito limitado. Se dependes deles, leva uma VPN instalada antes da viagem. E se o que te preocupa é falar com a família, espreita as alternativas para fazer videochamadas com a Rússia.

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Perguntas frequentes sobre eSIM para a Rússia

Porque é que uma eSIM funciona na Rússia a uns e a outros não?

Porque o que decide não é a marca, mas sim por onde a tua ligação sai para a internet. O teu telemóvel liga-se sempre a uma antena russa, mas algumas eSIM reencaminham o teu tráfego para a rede do seu operador no estrangeiro e outras fazem-no sair pela rede russa. No primeiro caso navegas quase como em casa; no segundo tens os mesmos filtros que um local. Quem decide é o fornecedor, não vem indicado na compra e pode mudar a meio da viagem.

Preciso de uma eSIM se o meu operador tem roaming na Rússia?

Não necessariamente. Vários leitores usaram o seu próprio cartão em roaming sem comprar nada e não tiveram problemas. Pergunta ao teu operador se cobre a Rússia e a que preço: muitos tarifários europeus não a incluem ou cobram uma fortuna, e aí a eSIM ganha sem discussão. Mesmo assim, levar uma eSIM instalada como plano B custa uns euros e poupa-te a procurar uma já dentro da Rússia.

Porque é que a minha eSIM não funciona na Rússia nas primeiras 24 horas?

Desde 6 de outubro de 2025, o governo russo aplica um bloqueio automático de dados móveis e SMS de cerca de 24 horas no primeiro registo de qualquer cartão SIM ou eSIM estrangeiro numa rede russa. As chamadas costumam continuar a funcionar. É uma restrição do Estado, não uma avaria da eSIM, e afeta por igual a Yesim, a Holafly, a Ubigi e as restantes. A um leitor durou 48 horas. Para o encurtar, ativa a eSIM na véspera do voo e, se chegar o SMS de verificação, desliga o wi-fi e a VPN antes de abrires o link.

A Saily funciona na Rússia?

Não. A Saily, a eSIM da NordVPN, não tem planos para a Rússia, e a Airalo e a Jetpac também não. Se te dá erro ao tentar pagar ou ao procurar o destino, é por isso, e não por um problema com o teu cartão. Antes de comprares qualquer eSIM, confirma no site do fornecedor que a Rússia aparece na lista de países.

A Holafly funciona na Rússia?

Sim. A Holafly funciona na Rússia na rede da MTS, a que tem melhor cobertura fora das grandes cidades, e vários leitores usaram-na em 2026 em Moscovo, Sochi, Caliningrado e numa autocaravana por meia Rússia. Como todas, passa pelo bloqueio de dados de cerca de 24 horas à chegada. Os pontos fracos: é a mais cara, limita o hotspot a 1 GB por dia e a um leitor falhou por completo. Se a tua viagem é de grandes cidades, a Yesim costuma compensar mais.

Qual é a melhor eSIM para a Rússia em 2026?

Depende da viagem. Para grandes cidades e estadias curtas, a Yesim tem mais relatos positivos de leitores e os preços mais equilibrados, graças à rede dupla Beeline e T2. Para rotas longas ou zonas rurais, a Holafly é a única na rede MTS, que é a melhor fora dos centros urbanos. Nenhuma acerta 100% das vezes, por isso o sensato é levares também um plano B.

As eSIM para a Rússia incluem um número de telefone russo?

Não. Todas as eSIM internacionais para a Rússia são só de dados. Para teres um número russo tens de te registar na plataforma estatal Gosuslugi com um número SNILS, um processo pensado para residentes. Isto conta mais do que parece: sem número russo não consegues ligar-te ao wi-fi público do metro nem dos aeroportos.

Posso partilhar a ligação com o portátil usando uma eSIM na Rússia?

Sim, quase todas permitem hotspot, mas com limites muito diferentes. A Holafly limita-o a 1 GB por dia, o que é pouco se precisas de trabalhar. A Yesim e a Ubigi não anunciam nenhum limite concreto.

O que acontece se comprar uma eSIM e acabar por não a usar?

A Holafly reembolsa até 6 meses depois da compra se não tiver sido ativada, que é a política mais generosa. A Yesim aceita o reembolso nos 30 dias seguintes se não tiver sido usada. A Ubigi dá-te 6 meses para ativares o plano e depois caduca.

Sai mais barato comprar a eSIM a um operador russo?

Muito mais barato, mas inviável para um turista. As eSIM da MTS, MegaFon, Beeline ou T2 exigem registo no Gosuslugi com SNILS, só se pagam com um cartão russo Mir e os sites e o apoio ao cliente estão apenas em russo.

Revejo este artigo de poucos em poucos meses, e o que mais o melhora não são os sites dos fornecedores: são as crónicas que me enviam. Se acabaste de voltar da Rússia, conta-me com que te ligaste e como correu, mesmo que seja só para dizer que não funcionou. São esses os dados que não encontras em nenhuma comparação.

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